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Cr 007 - Fachadas, Lindas Fachadas...

Algumas situações sobrevivem apenas de fachada. Há aqueles casais que permanecem juntos, mesmo quando qualquer afeto inexiste e toda a convivência entre eles tornou-se desagradável.
Entretanto, criam um ícone em louvor à hipocrisia, sustentando uma aparente vida comum. Chegam a dizer, à familiares e pessoas próximas, que vivem muito bem, sustentando uma situação onde o que importa é tão somente a aparência.
Temos aqueles políticos bons de discursos e terrivelmente corruptos na prática da política de gastos públicos; um tempo depois levantam o tapete daquela administração e então, como num passe de mágica, um monte de sujeira ali escondida aparece.
Mas, durante sua administração, tudo mostrava-se absolutamente correto aos olhos da população.
A fachada do governante era cuidadosamente trabalhada, enquanto a corrupção proliferava e deixava rombos com enormes dívidas ao Município, além do prejuízo social da má aplicação dos recursos e do bloqueio de repasse de verbas pelo Estado, este pela não aprovação dos gastos junto ao Tribunal de Contas.
Os programas socias implementados pelo governo Federal, chamados de “Transferências de Renda”, vem anunciando gastos previstos em cinco bilhões de reais neste ano de 2004.
As causas e efeitos dos verdadeiros problemas, determinantes da pobreza que assola a população são menosprezados; como exemplo, neste Município pouco se investe em geração de emprego e renda bem como na formação técnica, enquanto seguem catalogando os menos afortunados nos “bolsas distos e bolsas daquilo”. Numa solução de fachada procuram melhorias no bem estar da população.
Em nosso Centro Histórico de Iguape, a conservação das fachadas do casario colonial chamou-me a atenção. Lembrei-me da casa de um amigo em Campo Grande.
Quando lá estive, havia uma mesa antiga de madeira e sobre ela uma cesta de vime com ovos. Que belas cascas! Mesmo finas, protegem uma vida; sem ter muito valor em si mesma, conservam as características de seu interior. Uma fachada de real utilidade. Na parede da casa, um animal empalhado parecia me olhar fixamente. Essas técnicas de taxidermia por vezes assustam! Conservaram seu aspecto externo.
Achei que a manutenção de sua fachada retratava também a crueldade com que o liquidaram, pois restaram alguns pontos escuros por onde entraram os chumbos do disparo de uma garrucha. Aquela fachada só retratava o aspecto final, ainda que deteriorado, do pobre animal morto.
Passava pela Praça São Benedito quando observei uma janela aberta. Andando pela calçada, foi inevitável espiar um pouquinho. Deparei-me com outra fachada além daquela que mostra-se ao passeio.
Curioso! Temos uma Fachada da fachada; por trás daquela há uma outra, de construção já contemporânea, contrastando com a da frente. Mantiveram um pequeno beiral do antigo telhado. Quando o olhamos temos a impressão de que a construção está preservada. Mas, é apenas a fachada!
Um verdadeiro tesouro arquitetônico está presente em nossa arquitetura, expressas em edificações datadas dos séculos XVII ao XIX. A legislação que trata da preservação do Patrimonio Histórico e Arquitetônico vem auxiliando, pois cuida da obrigatoriedade de manutenção das fachadas do Centro Histórico; até quando nos preocuparemos apenas com as fachadas?
Julio Silva, 07/2004.

Cr 004 - O Evento dos Estudantes

Sinto imensa alegria e gratidão por esta cidade de Iguape, em especial pelo acolhimento da minha família, moradora nesta desde 1974. Recebeu minha família e a proveu de instalações e professores para nossa educação, pois no ano seguinte, iniciei meus estudos no Vaz Caminha.

Sempre me orgulhei de ter lá estudado, dos amigos que surgiram naqueles quatro anos e dos quatro maravilhosos professores com os quais convivi. O nome da escola presta homenagem ao autor da suposta Primeira Carta realizada em nosso território, Pero Vaz de Caminha, e também este fato me deixa feliz.

É adorável viver num local onde possuimos raízes. Hoje vejo meus filhos estudarem em escolas onde já estudei; em cada oportunidade de lá encontrá-los, ou participar de eventos em suas escolas, compartilho das suas realizações, sentindo o ambiente em que passam boa parte dos seus dias. Fico muito grato pelas boas lembranças que as salas e os páteos me reservam.

Outro dia estava no portão da escola esperando pela minha filha. Pude ouvir uma música que as crianças ensaiavam, preparando-se para um evento na escola. Um trecho final dizia: “eu aprendi a dividir o Amor”. A música é linda, numa ode à harmonia, ao carinho e respeito entre professores e alunos. 

Fiquei muito contente, imaginando que as raízes para uma convivência respeitosa estavam se firmando em meio àquelas pessoas. As crianças buscam pelo carinho, respeito e harmonia em seus ambientes, tal como quaisquer outros seres humanos, independentemente da idade, desejando simplesmente a paz. Mesmo ao longe, pelo som das alegres vozes, percebia a interação daquelas que ensinavam com as aprendizes.

Quem resiste ao convite duma pequenina sorridente, dizendo “Pai, você trabalha amanhã de tarde? Não? Vem na Escola!”. E assim recebi um bilhetinho mimiografado: “Senhores Pais (...) comparecer (...) dia 12/03/04 às 16:30(sic), (...) sobre uniforme(...)”. 

No dia seguinte, próximo ao horário chovia o bastante para me atrasar por alguns minutos; assim, quando cheguei, estava apreensivo pelo atraso. Alguns pais espalhavam-se ao acaso e as crianças esperavam em pé, distribuidas em diversas filas por sala. 

Estavam no patéo onde lhes servem a merenda, de costas para o pequeno palco e voltadas em direção a cozinha. Todos aguardavam alguém chegar e a insatisfação era crescente.

Era passado mais de 50 minutos do horário quando finalmente um ilustre convidado apareceu. O Senhor Prefeito Cabral lá chegava. Após anunciado a presença da autoridade, iniciaram a cerimônia. Seguiram-se alguns discursos, por parte da direção da escola. 

Houve também um discurso do Senhor Prefeito, obviamente dirigido aos pais, pois a linguagem era a mais distante possível do coração das crianças. Depois, simbolicamente, entregaram uniformes e mochilas para algumas crianças. Naquele momento, elas completavam uma hora e meia que estavam em pé enfileiradas. 

No entanto, superando o mau humor, conseguiram entoar alegremente a canção ao final, porque aprenderam a “dividir o amor”. Logo após, voltaram à sala de aula, onde o restante dos kits, com mochila e uniformes, foi entregue.

É público e notório que a Municipalização do Ensino ocorre com o repasse de verbas oriundas de nossos impostos, mas, não deixemos de considerar a entrega realizada como uma adequada destinação orçamentária do Município.

 O evento demonstrou a vitória das crianças, que ultrapassaram o cansaço e bradaram com suas poderosas vozes, com rostos felizes e em alto e bom som: “eu aprendi a dividir o amor”.

Cr 023 Porto de Iguape: o real e o imaginado


Na orla do canal do Mar Pequeno, próximo de onde hoje temos a Concha Acústica, vemos resquícios de um dos atracadouros do extinto e antigo Porto de Iguape. Duas baixas colunas feitas em pedra e dispostas em paralelos, recentemente restauradas, testemunham silenciosamente sua existência e seu uso em passado remoto. Tais ruínas históricas, preciosas provas históricas do porto que houve em Iguape, estão em nossa visão. Ao “desaparecimento” desse Porto de Iguape associam-se algumas causas, entre elas a diminuição da produção regional de arroz, a dificuldade que havia para se atingir o porto e o assoreamento do canal em razão da abertura do Valo Grande. O calado das embarcações aumentava e a profundidade do Mar Pequeno e de sua barra diminuía.

Circulam muitos rumores relativos à construção de um novo porto em Iguape. “Fato” comum entre eles é que tal porto atenderia ao excesso de demanda nos portos de Santos e Paranaguá. Porém, a lógica do capital é imperiosa; aporta apenas onde houver forte possibilidade de retorno financeiro. Se os custos de amortização dos investimentos e de operação, ainda que projetados, não seduzirem os investidores, tudo não passará de mera especulação. Em regiões com forte produção local ou com alto valor adicionado (refinamento de combustível e processamento de minérios, por exemplo), é natural que haja portos que são, na maioria das vezes, escoadouros daquela produção. Entretanto, sabemos o quanto é diminuta e de baixo valor comercial a produção do Vale do Ribeira. Lógico é supor que, para a operação de um porto que seja distante de zonas produtivas ou de alta rentabilização, haja fácil acesso a estradas, ferrovias e hidrovias, de tal forma compatíveis para o transporte das cargas entre as regiões produtivas e/ou consumidoras, visando atingir o porto.

Até o momento, não há qualquer manifestação formal pelos poderes públicos (em seus orçamentos) pela consecução de tal “projeto”, na parte que lhes seria de responsabilidade. Um caminho existente seria o uso de capitais exclusivamente privados; se desta natureza forem tais investimentos, por que não haveria sequer uma agência reguladora do governo ciente dos “estudos” e tampouco previsão legal, em regime de PPP - Parceira Público Privada? Poucas são as PPPs que estão “tomando forma”; e apenas porque, por enquanto, a legislação ainda é precária, pendente de regulamentação até mesmo em relação ao Governo Federal. O que dizer, então, quanto ao Estadual e Municipal?

Fator decisivo para a localização de um porto é a existência de canal com profundidade compatível com o calado dos navios que nele aportarão, além de formação geológica costeira adequada para dragagens periódicas e sucessivas. Tal manutenção, de forte impacto ambiental, acontece na maioria os portos existentes. Assim, e a mais, restrições ambientais existem e serão determinantes para tal “projeto”. O “assunto” tem sido tratado de forma sensacionalista, abordando as “vantagens” de um porto em Iguape, como se a redenção da economia local estivesse nesse “projeto”. Enfim, surgem “Salvadores da Pátria” com sabe-se lá quais interesses; o que se deduz, grosso modo, é que sejam apenas propagandas pessoais com finalidades político-eleitoreiras. Isto tem levado às pessoas mensagens equivocadas e irresponsáveis. Muitos acreditam que tal “projeto” está, efetivamente, em implantação. Neste caso, a PPP real é a aliança entre um grupo econômico com outros de “políticos”, sem ofensa aos que possam estar defendendo seriamente os reais interesses da população.

Havia uma ligação rodoviária entre os portos de Santos e Paranaguá, em projeto, nos mapas do início dos anos de 1980. Neles o traçado da BR-101 passava, após Peruíbe – partindo de onde hoje ela converge para a BR-116 – pela Juréia e Ilha Comprida, avançava por Cananéia e chegava a Paranaguá. Tal ligação entre o litoral teria facilitado o fluxo de pessoas e mercadorias. Muitas causas determinaram que tal projeto não fosse levado a efeito. Porém, entre os fatores relevantes temos a legislação que prevê total preservação da Juréia, justificada por ser aquele local um dos últimos resquícios intocados de Mata Atlântica, bem como o projeto das usinas nucleares de Iguape I e Iguape II. O Governo Federal chegou a obter financiamento e tecnologias alemãs para a construção; porém, com o fim do ciclo de governantes militares, em 1984, tanto os projetos das usinas nucleares quanto os de expansão de rodovias, tal como o trecho da BR-101 que por aqui passaria, permaneceram apenas em nossas lembranças.

Admitamos que seja real o divulgado interesse de conhecido grupo de investimentos portuários em construir um porto em Iguape, visando atender de forma complementar aos de Santos e Paranaguá. É natural supor que haja melhorias nas estradas; caso contrário, o custo de operação será demasiado alto, bem como o custo que restará para a sociedade. Na estrada Biguá-lguape, por exemplo, sequer temos acostamento pavimentado na maioria dos trechos; se for preciso parar um veículo, o desnível entre a pista e o acostamento de terra é alto e lhe provocará danos. Por outro lado, é duvidoso que ela comporte contínuo trânsito de caminhões com containers, sabidamente com altas tonelagens; com a sua deterioração, sairiam dos nossos impostos os recursos para a sua manutenção, enquanto o grupo investidor lucraria mais e mais na administração do imaginado “porto”? Ou tal grupo também realizaria investimentos e manutenção nas estradas? Quem pagará as contas, afinal?

Seguindo a moda local – sem pensar em quem pagará a conta –, aqui vai a sugestão para que haja a construção de uma ferrovia entre tais portos, a qual atenderia também a passageiros, além das cargas para o imaginado “Porto de Iguape”. Por enquanto, apenas em meus pensamentos, a ferrovia poderia nos integrar às economias mais dinâmicas de Santos e Paranaguá, tal como era previsto nos antigos mapas. A única diferença seria que, ao invés de rodovia, teríamos uma ferrovia interligando o Litoral Sul de São Paulo e o litoral norte paranaense.

No Plano Diretor do Município, recentemente promulgado, não há menção para atividade portuária. Sequer aconteceu pleito junto ao Governo Federal, em época própria, para criação de ZPE - Zona de Processamento de Exportações, onde o regime tributário foi um forte atrativo para que se instalassem pelo Brasil várias ZPEs, as quais foram “agraciadas” com inversões de capital público e privado.

A discussão nos remete a uma questão essencial para o desenvolvimento do Vale do Ribeira: até quando seremos um trecho “esquecido” do mapa do litoral brasileiro? Para tal pergunta, assusta-me que haja inúmeros boatos e raros fatos.

“Garçom? Traga a conta, por favor!” – Ao final das diversas rodadas e muito falatório, alguém terá que pedir! Ou sairemos todos em fuga?

507 Entre o céu e a terra

Entre o céu e a terra em solo rico eu vejo tais seres replandecentes A embelezar a vida e quem as vê posto que o belo a se apreciar enriquec...