478 Recortes

De dizer da breve vida do senão
em nada a exigir afora percepção
Depois de dizeres contraditórios
nas rudes palavras deselegantes
fazes de porto seguro inverdades
Cultivaste e prospera em coração
a decadência de qualquer sentir
Se fazes do amor algo a não existir
há de pouco viver sem tal emoção
e penar pelo mundo em cinzento
Reteves dessa realidade só recortes
e por nada a fazer já não te espero

477 Entornos

Dedicar alguns segundos ao apreciar
em espaços que são vezes contíguos
Eis a vida acontecendo para o amar
a vida em sua plena naturalidade
Tranquiliza a alma em sua claridade
a todos que se reservam momentos

476 Pela calçada

E se expõe em meio à urbana frieza
vai em contraponto às concretudes
Posto que vive poesia em essência
pétalas em mostra ávida a colorir
Ao passeio se projeta suave cair
a dizer-nos do que vive e ofereces
Luzes e sombras cores e memória

475 Acolher

Se florescer da vida em meu jardim
saiba de que cuidados terás de mim
Por dias talvez eu siga a contemplar
e perguntar-me se nós temos cativar

474 Esperar

E se pela manhã logo vejo o lírio
Sei que o presente vai em amarelo
Por uns dias que se tem luminosos
E por brevidade se dá em períodos
Rotas distintas agora afastam-nos
A decadência premente de valores
Rogam-nos nossas humanidades

473 Notável

Por dias em céu azul vai desabrochar
em outros às chuvas e frio sobrevive
Há o amor e assim segue o puro amar
por momentos pela distância se anime
Azul que seja em sabedoria do olhar
amarelo suave amor em que sobrevives
Em tudo que vai pelo caminho o estar
ainda a sinto e encontro nas flores

472 Lugares

Arte 285 e Poesia 472 Lugares. Julio Silva, 2022.

Onde se está exposta aqui ou logo ali
e quando se temos para além daqui